Revista Sinais Sociais - Sesc

Revista Sinais Sociais

Frente à persistência dos desafios de superação das desigualdades estruturais das relações de gênero, raça e etnia, esta edição traz artigos que contribuem para a reflexão acerca da indivisibilidade de direitos como princípio basilar das políticas públicas.

Com base em um trabalho investigativo e comparativo entre as políticas e modelos de abrigamento de mulheres em situação de violência nas cidades de Salvador e Madri, na Espanha, Cândida Ribeiro Santos não só constata uma maior estruturação dessa modalidade de serviços para atender às necessidades das mulheres na capital espanhola, em comparação com a capital baiana, como dimensiona a importância desses equipamentos no contexto de enfrentamento da violência contra a mulher e de sua proteção. Na análise que empreende, a autora problematiza os entraves observados na definição de políticas públicas relacionadas à complexidade das demandas das diversas mulheres que se encontram em situação de grave vulnerabilidade social.

Buscando preencher uma lacuna de abordagem na literatura brasileira, Cláudia Lima Ayer de Noronha e Elaine Meire Vilela revelam a existência
de uma economia étnica e evidenciam sua distribuição nas várias regiões do Brasil, tomando por referência os dados consolidados na Relação Anual de Informação Social (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Outra pesquisa importante para o atual cenário econômico é apresentada por Marcelo Sampaio Carneiro em seu artigo, que tem como propósito discutir o processo de inserção da agricultura familiar na cadeia da produção de leite bovino na região de Imperatriz no Maranhão, a partir do entendimento e da disputa entre diferentes concepções no estabelecimento de novos padrões de qualidade para a produção e comercialização do leite.

Sempre de volta aos clássicos, que nos remetem ao melhor entendimento da sociedade brasileira, e na perspectiva de uma releitura de Os Sertões, as ideias de Euclides da Cunha são levadas “ao limite”, nas palavras de Carolina Correia dos Santos, com base nas teorias literárias, sociológicas e históricas que envolvem os temas do sertanejo e da formação do Estado-nação, citados em obra histórica.

Com o intuito de repensar a esfera pública moderna, Luiz Augusto Campos retoma a reflexão sobre o papel contraditório desempenhado pela imprensa, como instituição de base das democracias de massa, ou como espaço de restrição e manipulação do debate público, apoiando-se, para tal, na obra de Habermas e, antes, à luz do controverso debate entre Walter Lippmann e John Dewey, no início do século XX.

A partir de temas tão instigantes, este número nos revela a função precípua da revista Sinais Sociais de divulgar estudos, ensaios e pesquisas investigativas que nos façam entender melhor o país e contribuir permanentemente para o desenvolvimento de um Brasil mais humanizado e pleno de direitos.

Boa leitura!

Sumário:

ABRIGAMENTO DE MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO: UM ESTUDO COMPARATIVO SALVADOR-MADRI
Cândida Ribeiro Santos

OS SERTÕES, AINDA E ALÉM
Carolina Correia dos Santos

UMA ANÁLISE SOBRE A ECONOMIA ÉTNICA NO BRASIL
Cláudia Lima Ayer de Noronha e Elaine Meire Vilela

IMPRENSA E ESFERA PÚBLICA: RETOMANDO O DEBATE LIPPMANN E DEWEY
Luiz Augusto Campos

CONVENÇÕES DE QUALIDADE E A INSERÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR NA CADEIA PRODUTIVA DO LEITE NA REGIÃO DE IMPERATRIZ/MA
Marcelo Sampaio Carneiro

Número de Páginas:

160 páginas

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Revista Sinais Sociais N29

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